Durante os meses de abril e maio, a Código Não Binário esteve na linha de frente de duas greves digitais que mobilizaram redes sociais em prol da conscientização sobre os impactos do uso excessivo de telas e o papel das plataformas na saúde mental da população. Mais do que silenciar as postagens por um dia, essas greves acenderam um alerta coletivo sobre a urgência de repensarmos nossa relação com o ambiente digital.
Na primeira mobilização, a Código Não Binário articulou canais e redes de apoio para ampliar o alcance da ação, somando forças com criadores de conteúdo, educadores e organizações. Na segunda, integrou diretamente a coordenação do evento, colaborando com estratégias e conteúdos que pautaram a responsabilidade das big techs, o design viciante dos algoritmos e os efeitos psíquicos do consumo digital desenfreado.
Com parcerias estratégicas — como o Instituto Alana, referência em direitos da infância, e a psicanalista Vera Iaconelli, voz potente no debate sobre subjetividade e tecnologia — a campanha atingiu milhões de pessoas e se tornou um exemplo prático de ativismo interseccional e transversal, conectando saúde mental, justiça digital e direitos humanos.
A participação da Código Não Binário nessa iniciativa reforça seu papel como agente político que atua entre a denúncia e a proposição, levando para o centro do debate público as consequências de um ecossistema digital que ignora corpos dissidentes enquanto lucra com a vigilância. Essas greves digitais não foram apenas protestos silenciosos — foram gestos de resistência e cuidado, que demonstram que a luta por soberania digital também passa por desacelerar, desconectar e reconstruir nossas relações com o tempo, com es outres e conosco.