Investigação independente com dados públicos do TSE. Não presume fraude nem normalidade. Atualizado em 07/10/2026, 15:32 (Brasília).
Apuração 1º turno 2026

Apuração do 1º turno de 2026: o que os dados públicos mostram

Análise independente, feita com arquivos públicos do TSE, sobre a pausa na divulgação do dia 4 de outubro e sobre a integridade dos números divulgados.

Como chegamos aqui

Tudo parte de arquivos que o próprio TSE publica na internet, sem acesso a nada que não seja público:

Imprensa, coletores independentes e posts virais entram só como pistas. O teste do lote das 20:04 foi registrado antes do resultado (hash local, sem carimbo externo); regras posteriores estão declaradas. Não houve acesso a urnas, softwares nem arquivos não publicados, e ainda não houve revisão humana externa. Método completo em Detalhes Técnicos.

Como o voto chega ao painel

  1. 1

    Urna

    Às 17h a votação acaba. A urna imprime o boletim e grava os resultados numa mídia. Não transmite nada.

    Dá para ver Boletim na porta da seção

  2. 2

    Ponto de transmissão

    Um técnico lê a mídia e envia o arquivo, já assinado pela urna, por rede privada (em locais remotos, por satélite).

    Sem registro público

  3. 3

    Recebimento no TSE

    O sistema confere a assinatura e põe o arquivo numa "fila". Cada seção ganha a hora de recebimento.

    Dá para ver É o que o gráfico mostra

  4. 4

    Totalização

    O sistema soma os boletins recebidos, por zona, cidade, estado e país.

    Dá para ver Hora da totalização

  5. 5

    Geração dos arquivos

    A soma vira os arquivos do painel. Aqui o TSE disse ter havido o problema.

    Dá para ver Hora de geração

  6. 6

    Cópias e painel

    Os arquivos são copiados para servidores de distribuição e chegam ao painel, ao app e à imprensa.

    Dá para ver O próprio painel

É um pinga-pinga: são 499 mil seções, cada uma seguindo esse caminho no seu horário. O painel só muda quando as etapas 3 a 5 andaram e a 6 copiou o resultado.

Onde parou? O TSE diz que foi na etapa 5 e que a 4 não foi afetada. Nos arquivos públicos, a etapa 3 ficou 27 minutos sem registros, em todos os estados: compatível com o que o TSE disse, mas não o comprova. Só o TSE sabe em que etapa o fluxo ficou represado.

▶ Veja a animação, minuto a minuto

Em 30 segundos

  1. Os arquivos do TSE batem entre si. A soma dos boletins de urna publicados é igual ao resultado final de Presidente em 6.283 das 6.292 zonas (com uma regra de voto nulo que definimos depois; ver Detalhes). É consistência entre arquivos do TSE, não auditoria da eleição nem da urna.
  2. 74.234 votos a menos na soma dos boletins, em 9 zonas com 286 seções sem boletim publicado (0,06% dos votos). É 0,15% da distância entre o 2º e o 3º colocados (50,4 milhões), então não muda quem foi ao 2º turno; falta explicação do TSE.
  3. O painel nacional ficou cerca de 50 minutos parado em 64,81% (coletor independente). O TSE diz que uma "contenção" parou o módulo do resultado nacional e que a totalização seguiu, exceto por "um breve momento". O painel oficial confirma a primeira parte (a totalização foi de 323.539 a 424.078 seções até 19:32), mas o ritmo já caía desde 19:25 e, de 19:32:21 a ~20:05, quase parou (+75 seções). Dois relógios: painel nacional (~50 min) e totalização (~30 min). Causa não divulgada.
  4. Parte do que circulou nas redes está errada, parte está certa.
  5. Preparamos um pedido ao TSE, ainda não enviado (página Pedido de Informação).

O que aconteceu

Na noite de 4 de outubro, o painel de Presidente ficou cerca de 50 minutos mostrando 64,81% das seções (dados de 19:06, publicados às 19:14, segundo coletor independente) e depois passou a mostrar 84,96% (20:04). O TSE disse em nota (23:56) que a dificuldade se limitou à "conversão dos dados pelo programa de divulgação" e não afetou a totalização; na coletiva, o Presidente falou em isolar outros sistemas e religá-los. Em 06/10, no Fato ou Boato, o TSE atribuiu a pausa a uma "contenção no processamento de dados" no módulo que gera o resultado nacional ("Brasil"), por aumento de volume às 19:14, e anunciou uma nova rotina para o 2º turno.

Seções por minuto do registro de horário hr e painel nacional de Presidente, 04/10/2026Barras: seções com registro de horário hr por minuto. Três intervalos sem registro sombreados. Linha: percentual de seções no painel nacional, segundo coletor independente.0k1k2k3k4k5k6k7k17:0017:3018:0018:3019:0019:3020:0020:3021:0021:308 min4 min27,5 min0%25%50%75%100%

Barras: seções com registro de horário em cada minuto (arquivos baixados em 05/10); sombreado: minutos sem nenhum registro. Linha: painel nacional segundo coletor independente, não verificado pelo TSE.

Detalhe técnico: o que o registro de horário hr mede e o que não mede

O hr do arquivo auxiliar de cada seção é descrito pelo TSE como "hora do recebimento dos arquivos". Mas o fluxo oficial tem várias etapas entre a chegada do boletim e a totalização (transmissão, recebimento, totalização, geração dos arquivos e replicação para a CDN), e não se sabe qual sistema grava o hr. Ele também pode ser refeito quando o arquivo muda de situação (por isso boa parte dos registros de 17:00 a 17:10 é de seções do exterior). Segundo o TSE (Fato ou Boato, 06/10), a visualização estadual não foi afetada e o cálculo da totalização seguiu, com uma suspensão "breve" por protocolo de segurança; a área de tecnologia investiga. O registro parou, em todos os estados, em três intervalos: 18:01–18:08, 18:49–18:53 e 19:31–19:59. A totalização oficial também parou (19:32:21). A publicação dos boletins já recebidos continuou: 41.668 arquivos bu.dat foram publicados entre 19:32 e 19:58, todos de seções carimbadas até 19:31:50; boletins novos só reaparecem a partir de ~19:59. O TSE afirma que os boletins continuaram a ser recebidos; os arquivos públicos não permitem ver se chegavam e ficaram retidos antes do processamento. O arquivo nacional publicado às 20:04 tem horário de totalização 19:45:15.

Os números divulgados batem entre si?

Baixamos os boletins de 498.921 das 499.248 seções: todos têm a cadeia de hashes íntegra, e a soma é igual ao resultado final em 6.283 de 6.292 zonas. As 9 restantes são exatamente as zonas que têm seções sem boletim publicado, e a diferença tem o tamanho esperado para essas seções (os votos delas são desconhecidos).

Limite: testamos os dados do TSE contra eles mesmos. As assinaturas digitais que verificamos (amostra de 2.994 seções) são válidas, mas os certificados são do próprio TSE e não examinamos o software da urna. É consistência, não auditoria.

As 12.018 seções que o TSE ainda mostrava como "Recebida" em 5 de outubro têm boletim publicado, e ele entra na soma que fecha; o que ficou pendente é o status do arquivo (compatível com arquivo auxiliar desatualizado; só o TSE pode confirmar).

Detalhe técnico: lote das 20:04, assinaturas, margens e amostras

O que circulou e o que os dados mostram

Certo ou parcialmente certo: o painel nacional ficou defasado de 18:49 a 19:14 enquanto os estados avançavam e depois cerca de 50 minutos congelado (coletor independente); houve três pausas no registro de horário.

"Às 19:16 as urnas UE2013 e UE2015 geram erro e a contagem trava" (vídeo no X, 886 mil visualizações em 05/10). Os arquivos públicos não mostram isso: a pausa atingiu todos os estados e modelos, a urna não transmite (o registro dela termina por volta das 17h10) e, numa amostra de 16.935 registros, nenhuma urna tem linha de erro entre 19:10 e 19:20. Em 06/10 o TSE declarou, no Fato ou Boato, que a imagem é falsa; os dados públicos também não mostram o que ela alega.

"Starlink". A urna nunca fica online: o arquivo, já assinado pela urna, é enviado por um técnico, e em locais remotos a antena Starlink é só o canal (até 1.113 terminais, 97% na Amazônia). Isso não explica a pausa, que atingiu todos os estados, e o canal não altera um arquivo assinado.

Detalhe: por que a comparação de resultados com 2022 não responde

Nenhum arquivo público marca o canal de envio e as listas de locais são parciais. Em 29 municípios do Maranhão com antena, o Lula caiu 6,8 pontos contra 4,6 no resto do estado, mas a diferença some conforme o cálculo (média simples dos municípios: −0,4; mediana: +0,2) e vem sobretudo de São Luís contra o interior; os candidatos de 2022 e 2026 também não são os mesmos. O teste não mostra nem exclui efeito. Para responder falta a lista de locais atendidos, que só os TREs têm.

Nem "a pausa prova fraude" nem "a pausa prova que está tudo normal": nos dados que examinamos nada indica fraude, nada audita a eleição, e a pausa e as 286 seções seguem sem explicação.

O que ainda está sem resposta

Outras perguntas (as 12.018 seções "Recebida", 1.904 ou 3.032 substituições, reinício do sistema de totalização) estão no pedido, em Pedido de Informação. A Res. TSE 23.751/2026 não fixa prazo para a divulgação parcial: a questão é de transparência.

Você mesmo pode conferir: o boletim impresso na porta da sua seção tem QR Code (aplicativo Boletim na Mão).